quinta-feira, 20 de junho de 2019

Receita suplementação no período da chuva

Ao contrário do período da seca, animais em pastejo durante as águas, normalmente, alcançam ganhos de peso médios superiores a 400 g/animal/dia. Nessa situação, qualquer tentativa de suplementação deve ser, exaustivamente, analisada em termos da meta a ser alcançada dentro de um determinado sistema de produção de carne. 
Entretanto, apesar do aparente alto custo do ganho adicional a ser obtido com a suplementação das águas (entre 100 a 200 g por animal/dia), isto vai resultar em uma redução no período de engorda do animal, quer seja em pasto ou em confinamento, com possíveis retornos econômicos. 
A suplementação nas águas pode ser feita com o uso de um sal protéico, em situações de pastagens com baixos valores de PDR. Este pode ser o caso de pastagens de braquiárias não adubadas com nitrogênio e estabelecidas em solos de baixa fertilidade. Para outras situações, sugere-se o uso de um concentrado energético-protéico, com ofertas entre 2,5 a 3 g/kg de PV/animal/dia, o que pode adicionar cerca de 200 g no ganho normal da época de chuva. 
Seria desejável que a fonte de PDR a ser utilizada no sal protéico fosse de degradação lenta no rúmen, melhorando, assim, a síntese microbiana. A uréia disponível, no mercado, não apresenta essas características, dando-se preferência a fontes de PDR provenientes do farelo de soja, algodão, girassol e outras. 
Outra opção seria o uso do caroço de algodão, que, em virtude de ser oferecido na forma integral, passa pelo processo de ruminação, e com conseqüente maior tempo de permanência no rúmen e liberação de nitrogênio. Entretanto, é um produto que não apresenta características desejáveis para a confecção de misturas. Já para o concentrado, a fonte protéica desejada deveria apresentar baixo valor de PDR e alto valor de PNDR (proteína passante). 
A melhor alternativa seria o uso de fontes protéicas de origem animal (farinha de carne, sangue, vísceras de aves), mas o uso delas está proibido. Uma alternativa seria a farinha de peixe de boa qualidade, entretanto, esse produto está escasso no mercado. Todas as farinhas de origem vegetal apresentam altos valores de PDR, sendo uma exceção o farelo de gérmen de milho, também pouco encontrado no mercado. Tratamentos químicos ou físicos para reduzir tal degradabilidade são caros e pouco práticos.  

Suplementação na chuva – vacas de cria
  
Em geral, apenas a pastagem cultivada é suficiente para proporcionar elevadas taxas de natalidade, desde que bem manejada e suplementada com uma mistura mineral adequadamente balanceada.  

Suplementação na chuva – animais em recria e engorda
  
Objetivo da suplementação 
melhorar o desempenho animal pelo suprimento adicional de nutrientes, mas minimizando seu efeito sobre o consumo do pasto. 
Meta 
reduzir a idade de abate e/ou idade de primeira cria. 
Estratégia 
maximizar a utilização do pasto pelo fornecimento de energia, proteína, minerais e ionóforos. 
Tipo de suplemento 
de preferência com teores de proteína ajustados para as diversas fases da estação das chuvas e com alta densidade energética (acima de 75% de NDT). Reduzir ao mínimo o uso de uréia nas misturas. 
Nível de fornecimento 
sal protéico – 1 g/kg de PV/animal/dia; concentrados - 2,5 a 4 g/kg de PV/animal/dia para a recria e de 5 a 8 g/kg de PV/ animal/dia para a engorda. 
  
Tabela 4. Suplementos para recria/engorda, % base MN 

*Ingredientes
Concentrado (% de PB)
Sal protéico chuva
12%1
15%2
22%3
Milho triturado
78,94
81,86
78,94
78,94
Farelo de soja
16,49
15,17
16,49
16,49
Uréia
1,69
1,22
1,69
1,69
Sulfato de amônio
0,30
0,22
0,30
0,30
Mistura mineral
1,24
0,62
1,24
1,24
Sal comum (sal branco)
1,29
0,89
1,29
1,29
Ionóforo (2 g/400 kg de PV)
0,05
0,04
0,05
0,05
*MN = matéria natural 
1 Início das chuvas 
2 Meio das chuvas 
3 Final das chuvas 

Concentrados - nesta fase de alto crescimento da pastagem, a dinâmica de translocação de nutrientes na planta é rápida e variável. Dessa forma, períodos relativamente curtos de alto teor de proteína (início das chuvas) são seguidos por períodos de teores médios (meio das chuvas) a baixos (final das chuvas), resultando em ganhos de peso vivo desuniformes, baixando o ganho das chuvas para mais ou menos 500 g/animal/dia, dependendo da pastagem.
Nessa situação, o objetivo do suplemento é cobrir as deficiências nutricionais dentro do período das chuvas e manter um desempenho animal mais uniforme. Com tal propósito, as formulações foram feitas em função da variação no teor de proteína bruta durante a estação das chuvas, de forma a manter um nível de proteína bruta na dieta sempre próximo a 17% do NDT. Os cálculos foram baseados supondo-se um consumo de 1 kg/animal/dia do suplemento, por um animal de 300 kg de peso vivo. 
Sal protéico de chuva - de acordo com os princípios do sal protéico de seca, o consumo não deve ultrapassar 1 g/kg de peso vivo/animal/dia. Como já explicado anteriormente, o seu uso poderia ser eficiente em situações de pastagens com baixo valor de PDR. Além disso, é uma forma de garantir um consumo adequado da mistura mineral (a incidência de chuva sobre a mistura mineral a torna pouco disponível e palatável), bem como de algum aditivo que possa melhorar o desempenho (caso dos ionóforos). Por esse ângulo, acredita-se nos benefícios no uso do sal protéico nas chuvas.

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