Ao contrário do período da seca, animais em pastejo durante as águas, normalmente, alcançam ganhos de peso médios superiores a 400 g/animal/dia. Nessa situação, qualquer tentativa de suplementação deve ser, exaustivamente, analisada em termos da meta a ser alcançada dentro de um determinado sistema de produção de carne.
Entretanto, apesar do aparente alto custo do ganho adicional a ser obtido com a suplementação das águas (entre 100 a 200 g por animal/dia), isto vai resultar em uma redução no período de engorda do animal, quer seja em pasto ou em confinamento, com possíveis retornos econômicos.
A suplementação nas águas pode ser feita com o uso de um sal protéico, em situações de pastagens com baixos valores de PDR. Este pode ser o caso de pastagens de braquiárias não adubadas com nitrogênio e estabelecidas em solos de baixa fertilidade. Para outras situações, sugere-se o uso de um concentrado energético-protéico, com ofertas entre 2,5 a 3 g/kg de PV/animal/dia, o que pode adicionar cerca de 200 g no ganho normal da época de chuva.
Seria desejável que a fonte de PDR a ser utilizada no sal protéico fosse de degradação lenta no rúmen, melhorando, assim, a síntese microbiana. A uréia disponível, no mercado, não apresenta essas características, dando-se preferência a fontes de PDR provenientes do farelo de soja, algodão, girassol e outras.
Outra opção seria o uso do caroço de algodão, que, em virtude de ser oferecido na forma integral, passa pelo processo de ruminação, e com conseqüente maior tempo de permanência no rúmen e liberação de nitrogênio. Entretanto, é um produto que não apresenta características desejáveis para a confecção de misturas. Já para o concentrado, a fonte protéica desejada deveria apresentar baixo valor de PDR e alto valor de PNDR (proteína passante).
A melhor alternativa seria o uso de fontes protéicas de origem animal (farinha de carne, sangue, vísceras de aves), mas o uso delas está proibido. Uma alternativa seria a farinha de peixe de boa qualidade, entretanto, esse produto está escasso no mercado. Todas as farinhas de origem vegetal apresentam altos valores de PDR, sendo uma exceção o farelo de gérmen de milho, também pouco encontrado no mercado. Tratamentos químicos ou físicos para reduzir tal degradabilidade são caros e pouco práticos.
Suplementação na chuva – vacas de cria
Suplementação na chuva – vacas de cria
Em geral, apenas a pastagem cultivada é suficiente para proporcionar elevadas taxas de natalidade, desde que bem manejada e suplementada com uma mistura mineral adequadamente balanceada.
Suplementação na chuva – animais em recria e engorda
Suplementação na chuva – animais em recria e engorda
Objetivo da suplementação
melhorar o desempenho animal pelo suprimento adicional de nutrientes, mas minimizando seu efeito sobre o consumo do pasto.
Meta
reduzir a idade de abate e/ou idade de primeira cria.
Estratégia
maximizar a utilização do pasto pelo fornecimento de energia, proteína, minerais e ionóforos.
Tipo de suplemento
de preferência com teores de proteína ajustados para as diversas fases da estação das chuvas e com alta densidade energética (acima de 75% de NDT). Reduzir ao mínimo o uso de uréia nas misturas.
Nível de fornecimento
sal protéico – 1 g/kg de PV/animal/dia; concentrados - 2,5 a 4 g/kg de PV/animal/dia para a recria e de 5 a 8 g/kg de PV/ animal/dia para a engorda.
| Milho triturado | ||||
| Farelo de soja | ||||
| Uréia | ||||
| Sulfato de amônio | ||||
| Mistura mineral | ||||
| Sal comum (sal branco) | ||||
| Ionóforo (2 g/400 kg de PV) | ||||
Concentrados - nesta fase de alto crescimento da pastagem, a dinâmica de translocação de nutrientes na planta é rápida e variável. Dessa forma, períodos relativamente curtos de alto teor de proteína (início das chuvas) são seguidos por períodos de teores médios (meio das chuvas) a baixos (final das chuvas), resultando em ganhos de peso vivo desuniformes, baixando o ganho das chuvas para mais ou menos 500 g/animal/dia, dependendo da pastagem.
Nessa situação, o objetivo do suplemento é cobrir as deficiências nutricionais dentro do período das chuvas e manter um desempenho animal mais uniforme. Com tal propósito, as formulações foram feitas em função da variação no teor de proteína bruta durante a estação das chuvas, de forma a manter um nível de proteína bruta na dieta sempre próximo a 17% do NDT. Os cálculos foram baseados supondo-se um consumo de 1 kg/animal/dia do suplemento, por um animal de 300 kg de peso vivo.
Sal protéico de chuva - de acordo com os princípios do sal protéico de seca, o consumo não deve ultrapassar 1 g/kg de peso vivo/animal/dia. Como já explicado anteriormente, o seu uso poderia ser eficiente em situações de pastagens com baixo valor de PDR. Além disso, é uma forma de garantir um consumo adequado da mistura mineral (a incidência de chuva sobre a mistura mineral a torna pouco disponível e palatável), bem como de algum aditivo que possa melhorar o desempenho (caso dos ionóforos). Por esse ângulo, acredita-se nos benefícios no uso do sal protéico nas chuvas.
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